O PRIMEIRO SONHO QUE EU ANOTEI
O Mauricio organizou uma festa num sítio muito grande, com galpões e mesinhas de madeira.
Eu fiquei em casa para receber uma encomenda que viria pelo correio.
Chegaram 2 envelopes, sendo que 1 era bem maior - daqueles plásticos reforçados como os que vem de banco. Eu achei melhor abri-lo, para saber da importância do pacote. Abrí. O cheiro era “funesto” – palavra usada por mim no sonho. O conteúdo era uma espécie de ossos com cartilagem. Peguei o pacote, fechei a casa e saí correndo para levar o pacote para o tal sítio.
No meio do caminho percebi que ainda estava muito longe então resolvi ir “voando”. Carreguei o pacote como se fosse um “bebê” nos meus braços e sempre com o cuidado para que o conteúdo não caísse.
Sobrevoei uma cidade totalmente abandonada, meio destruída e comecei ouvir uma voz que começou a narrar a trajetória daquele que supostamente eu estava carregando os restos mortais, embebidos em uma substância para mantê-lo daquele jeito. O narrador falava de todos as atrocidades que o tal sujeito, que era um político poderoso, havia praticado por muito tempo, inclusive, tinha sido o responsável pela destruição da cidade. Eram monumentos históricos. Como o tal ditador tinha feito coisas que caem bem aos olhos do povo, como cerimônias de inauguração, entrega de prêmios, havia busto e placas com seu nome. Em cada prédio que eu sobrevoava e o narrador descrevia a situação, eu olhava em direção ao pacote e fazia com que ele “olhasse” também, como se falasse: ‘Olha só o que voce fez aqui’! Ele tinha sido responsável tambem por tortura e extermínio de muitas pessoas.
Ao chegar no tal sítio, já estavam lá várias pessoas: familiares (tanto vivos quanto já desencarnados), vizinhos, antigos colegas e conhecidos de Itatiba e de São Paulo também. Percebi que o Maurício cuidava da parte social e de servir os convidados, que teriam ido lá para a festa de aniversário das minhas filhas.
Quando avisei que finalmente o facínora (cujos restos eu carregara até ali) tinha sido julgado e condenado, finalmente tivera sua sentença. Todos aplaudiram e agradeceram pelo acontecido. Mas, quando eu fui entregar o pacote aos “dirigentes”, que era uma equipe formada pelo Mauricio, meu pai e mais uns 5 homens, que me disseram que a cerimônia já iria começar, eu visualizei, como se eu assistisse à uma outra cena, em outro cenário, 3 médicos, já com idade bem avançadas, quase cadavéricos, cabelos eriçados e totalmente brancos. Ao sorrirem os dentes eram muito afiados, desarranjados e estragados. Era uma risada meio sarcástica. Eles pegaram uma mulher branca, meio desfalecida, cabelos castanhos escuros e compridos, vestindo uma calça jeans e uma camiseta azul,, e a colocaram numa espécie de máquina que ao ser ligada a fez estremecer rapidamente . A tiraram da máquina e a colocaram numa espécie de maca e comentaram: “já está quase na hora”.
Neste momento eu visualizei a barriga da mulher que parecia estar viva, se evoluindo, se transformando em algo, ou alguém, como se estive em decomposição, mas ao mesmo tempo se transformando em um monstro. Meio esbranquiçado e com a boca exatamente igual à dos tais médicos que a assistiam. Assim que a coisa tomou forma eles disseram: “conseguimos”!
Neste momento a equipe formada pelos 7 homens, foram até um dos pátios onde acontecia a festa e pediu para todos formarem um circulo, para que a criatura fosse apresentada a todos.
Antes de soltarem a coisa, alguém perguntou para que serviria, ou o que era aquilo e um dos médicos loucos falou que a coisa era comedora de câncer. Era a cura definitiva para o câncer que eles haviam desenvolvido após séculos de pesquisas e cujos restos mortais daquele tal ditador contribuíra com o DNA.
Então, ao ver minha vizinha Cíntia e as pessoas em volta, concluí que todas que estavam lá, tinham alguma espécie de câncer maligno. Não sei de que forma aquela criatura monstruosa iria proceder com a cura, se alimentando do câncer de cada um.
Nesse instante, me aproximei da Cíntia, a abracei e falei que eu já tinha desconfiado que ela tinha um tumor, mas não tinha me falado nada. A confortei dizendo que finalmente haveria a cura. Mas...
Não era essa a intenção. Aquela cena toda era apenas para encobrir o que realmente os tais médicos, que eram seres de outro planeta, pretendiam fazer - a extinção da humanidade. E aquelas pessoas seriam só mais uma leva que seriam mortas...